SOMOS ALAGOANOS. NÃO SOMOS DO CENTRÃO CORRUPTO E QUE SE REVEZA NO GOVERNO. NÃO SOMOS ESQUERDOPATAS. QUEREMOS SOMENTE LIBERDADE. [e se o liberalismo vigorar AQUI podem crer que o muita coisa mudou]!! NÃO QUEBRE A JANELA!!
segunda-feira, 6 de maio de 2013
ESSES ROMANOS SÃO UNS LOUCOS!!!!!!
[Ou não? Este é a parte final do segundo capítulo do livro "O Deus da Máquina" de Isabel Paterson, publicado no Reaçonaria.org ]
2 A familiaridade com a função do dinheiro permitiu a Roma governar um império no devido tempo. Diz-se que os espartanos, não sendo acostumados ao dinheiro, eram rapidamente pervertidos quando abandonavam sua modesta economia de subsistência. Não conseguiam manter o mínimo de honestidade em relações contratuais, tendo sido criados no comunismo. No nível mais baixo, não eram capazes nem mesmo de entender os limites da corrupção. (N. da A.)
3 “Além das árvores de Arícia / Aquelas árvores em cuja sombra escura / O sacerdote espectral impera / O sacerdote que assassinou o assassino / E será ele mesmo assassinado.” Do poema The Battle of the Lake Regillus (A Batalha do Lago Regilo), escrito por Lord Thomas Babington Macaulay em 1842. (N. do T.)
4 Uma monarquia constitucional hereditária só é possível como um desenvolvimento a partir do verdadeiro feudalismo. A condição necessária é a sobrevivência de uma aristocracia fundiária com herança inalienável. Quando isso desaparece, a monarquia afunda em seguida. (N. da A.)
5 CAMBRIDGE ANCIENT HISTORY: The Primitive Institutions of Rome. H. Stuart Jackson. Macmillan. (N. da A.)
Quando uma nação passa por condições em que o costume se mostra perecível, a liderança desastrosa e a monarquia opressiva, a razão deve definir a fonte primária de autoridade, para investi-la em uma forma viável.
Por essa sequência, provavelmente encurtada, Roma tornou-se um laboratório político. O que entrou no cadinho precisa ser deduzido a partir dos mitos, lendas, tradições e instituições que se formaram nos obscuros séculos da história inicial da cidade. Não parece que Roma tenha sido nunca primitivamente bárbara, se a cidade teve seu princípio no comércio, usando dinheiro2 e tornando as terras propriedade privada; são elementos de uma civilização avançada. E as fábulas são frequentemente inconsistentes, como seria o caso se fossem parcialmente importadas e misturadas. Histórias como a de Rômulo e Remo e do estupro das Sabinas não podem ser aceitas literalmente; nem precisam ser de origem local. O roubo de noivas faz parte de uma cultura bárbara, na qual não há desonra. A crença de que uma loba amamentou Roma deve ser ainda mais antiga e pode ser derivada de um totem selvagem; mas não necessariamente, porque quando a Europa era bárbara, um proscrito era uma “cabeça de lobo”, uma antiquíssima figura de linguagem. A sugestão nas três histórias é de que Roma sempre foi mais ou menos uma cidade aberta, admitindo refugiados, exilados ou imigrantes. Eles trariam costumes variados que deveriam ser harmonizados segundo regras gerais.
De toda forma, a figura do asilo certamente se incorporou ao sistema social e legal romano e, por fim, criou o caráter especial da cidadania romana. Caracteristicamente, era necessário nascer grego, mas era possível se tornar romano.
Outra vez, podemos suspeitar de um resquício de antigas dificuldades em encontrar um modo avançado de associação que funcionasse, por causa de uma instituição peculiar a Roma. É uma instituição altamente extraordinária num povo civilizado, porque existia completamente fora da ordem social. Ninguém sabia exatamente qual a sua função, no sentido em que todos sabiam o que significavam as Virgens Vestais. Esse cargo realizou seu objetivo de maneira tão completa que o objetivo foi esquecido. Embora famosos por sua coragem militar, os romanos não praticavam duelos, nem toleravam a vingança privada informal. Porém, existia um homem, que devia ser um criminoso, dedicado a uma ocupação que tinha de ser conquistada e mantida por assassinato. Esse homem era o Sacerdote de Nemi, “beneath Aricia’s trees”.
Those trees in whose dim shadow
The ghastly priest doth reign,
The priest who slew the slayer,
And shall himself be slain.3
The ghastly priest doth reign,
The priest who slew the slayer,
And shall himself be slain.3
Quem estava incumbido desse posto sanguinário havia obtido essa função matando o ocupante anterior. Ele nunca poderia deixar o abrigo do bosque sagrado e estava permanentemente sujeito a ser atacado por outro fora-da-lei que conseguisse alcançar esse santuário da morte. O Sacerdote do Ramo Sagrado foi explicado com referências eruditas a ritos de sacrifício, o bode expiatório que carrega os pecados do povo ou o deus-rei que morreu e foi ressuscitado, como o sol, para garantir a fertilidade dos campos e da tribo. Esses rituais mágicos podem ter sido incorporados pelo sacerdócio de Nemi. Mas os romanos eram solidamente prosaicos até em suas superstições. Suas divindades eram principalmente úteis, com funções práticas definidas. Bem, em sua origem, havia um uso prático para o sacerdócio de Nemi. Era desestimular atentados contra a liderança. Não se pode imaginar uma medida mais ironicamente efetiva para desencorajar tais ambições que a determinação de um ponto em que os aspirantes devem enfrentar contendores e onde o vencedor deve continuar, para sempre, sujeito ao mesmo desafio. Que ele tenha o que pediu e fique satisfeito – o recurso à força. Obviamente, apenas homens já banidos procurariam o santuário terrível. São esses os termos sob os quais o homem deve existir quando não há lei. Estando já muito avançados, tendo superado os estágios do costume e da liderança, e sendo conscientes da ineficácia da democracia, os romanos foram obrigados a resolver o problema do governo em termos racionais, trabalhando com o que tinham. Tinham a família como a unidade social, compensada pela lei contratual sobre a propriedade, o que fazia do indivíduo a unidade política. Assim, a família não podia se dividir numa forma realmente feudal. Tinham clãs (gentes), de antiga linhagem local, que podiam ser reconhecidos como uma aristocracia, mas não em ordem hierárquica feudal. Tinham uma população grande e variada, os plebeus, palavra que significa apenas multidão, as massas; mas não necessariamente os pobres. O elemento mais importante eram as tribos, ou seja, a divisão da cidade em áreas específicas, que supostamente restaram da união prévia de três comunidades. Essas divisões eram estritamente territoriais e políticas, com fronteiras fixas; as pessoas eram incluídas nelas por local de residência, não por descendência. Essas tribos tinham igual representação por direito a partir da propriedade de terras, moradia; e tinham a obrigação de suprir contribuições iguais para a defesa militar. Representação vinculada à área. Mudanças subsequentes – áreas adicionais, divisões novas ou subdivisões por razões políticas – mantiveram essa forma; havia fronteiras regionais e representação.
Roma nunca foi um “todo” indiferenciado, uma simples agregação de partículas, como postula a teoria da democracia. Desde o início, a cidade de Roma foi uma federação, com a forma federal, que engloba bases permanentes e estrutura, os elementos da arquitetura. Tanto os elementos como a forma precisam de um sistema eletivo; e os romanos primeiro tentaram um mandato vitalício para um executivo eleito. Foi completamente insatisfatório, porque não é possível haver controle confiável ou limitação dos poderes executivos nesse caso.4 Tendo-se livrado de seus presidentes vitalícios (reis), os romanos tomaram rigorosas precauções contra seu retorno por usurpação. Eles não teriam só um executivo chefe; e, mesmo em posições mais baixas, inclinavam-se por ter dualidade de cargos, o que funcionava muito bem no conjunto. Os cargos políticos também eram restritos a mandatos fixos e curtos, com rotatividade de exercício e intervalos em que um candidato não poderia ser reeleito. Essa última disposição é correta, já que a única razão para determinar um tempo de mandato é poder tirar o ocupante. O principal objeto de votações, em qualquer caso, era o voto contra pessoas ou medidas. Os romanos também suspeitavam continuamente de seus generais, proibindo até um comandante vitorioso de reentrar na cidade sem permissão formal. Estavam determinados a impedir a tomada militar da autoridade civil. E foram assombrosamente bem-sucedidos, considerando sua posição, que necessitava de uma boa porção de defesa e constante prontidão militar. Nenhuma outra nação antiga manteve esse controle civil sobre o exército por centenas de anos.
Os cargos políticos eram ocupados principalmente pela aristocracia e eram em parte eletivos, em parte sujeitos a nomeação ou preenchidos por cooptação; os diferentes métodos, com mandato vitalício apenas para senadores, impediam a rigidez excessiva ao mesmo tempo em que preservavam a continuidade. Também era possível que homens de talento excepcional subissem a partir dos escalões inferiores. Nada era absolutamente petrificado em status. A igualdade dos senadores (diferente do que ocorre em uma aristocracia hierárquica) e a eleição de outras autoridades não apenas permitia, mas exigia o debate público no corpo de governo e a livre expressão de opiniões pelos cidadãos. Como tanto os eleitores como os ocupantes de cargos públicos possuíam propriedades, tinham um interesse sólido em manter a nação funcionando, com a concomitante obrigação de defesa militar.
Mas o golpe inigualado de gênio político foi que o estado romano previa não apenas o adiamento, mas o impasse concreto. O poder dos plebeus, por meio de seus tribunos, era de obstrução manifesta. Os tribunos da plebe não podiam propor nenhuma medida, mas podiam parar os trabalhos; e suas pessoas eram invioláveis. Nada é mais essencial ao bem-estar de uma nação que a restrição ao governo, por meios legítimos. Um mecanismo sem freios, um motor sem dispositivo de corte, foi construído para a autodestruição. O sistema romano era durável porque era organizado de tal maneira que as tensões se transformavam em força e o controle era assegurado pela separação entre a agência executiva e o dispositivo de corte. Essa realização se tornou possível pela definição da fonte de autoridade. “Os romanos possuíam, desde os tempos mais antigos o conceito de jus, que é mais amplo que o de direito positivo declarado por uma autoridade, e denota uma ordem que obriga moralmente os membros da comunidade, tanto humanos quanto divinos.”5
Essa ideia de direito como um conceito abstrato não é dada pelo costume, pela liderança, por um conselho ou um rei; tampouco é compatível com a democracia. Em todos esses casos, a autoridade é arbitrária, tendo sido dada ou num costume particular, ou depositada em pessoas por precedência (ancestralidade ou antiguidade) ou determinada pelo número. Os romanos afirmaram que há uma ordem moral no universo.
2 A familiaridade com a função do dinheiro permitiu a Roma governar um império no devido tempo. Diz-se que os espartanos, não sendo acostumados ao dinheiro, eram rapidamente pervertidos quando abandonavam sua modesta economia de subsistência. Não conseguiam manter o mínimo de honestidade em relações contratuais, tendo sido criados no comunismo. No nível mais baixo, não eram capazes nem mesmo de entender os limites da corrupção. (N. da A.)
3 “Além das árvores de Arícia / Aquelas árvores em cuja sombra escura / O sacerdote espectral impera / O sacerdote que assassinou o assassino / E será ele mesmo assassinado.” Do poema The Battle of the Lake Regillus (A Batalha do Lago Regilo), escrito por Lord Thomas Babington Macaulay em 1842. (N. do T.)
4 Uma monarquia constitucional hereditária só é possível como um desenvolvimento a partir do verdadeiro feudalismo. A condição necessária é a sobrevivência de uma aristocracia fundiária com herança inalienável. Quando isso desaparece, a monarquia afunda em seguida. (N. da A.)
5 CAMBRIDGE ANCIENT HISTORY: The Primitive Institutions of Rome. H. Stuart Jackson. Macmillan. (N. da A.)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Até The Economist sabe o quão atrasadas e malignas são nossas tido como bondosas leis trabalhistas
Afinal, ferrar o empregador [hipersuficiente] em detrimento do empregado [hiposuficiente]é o esporte preferido da intellijumentsia nacional. Afinal, estão ~corrigindo~ injustiças sociais.
"IN 1994 Ricardo Lemos (not his real name) and two friends bought a chain of pharmacies in Pernambuco, in Brazil's north-east. Immediately afterwards they were taken to court by four former employees of the pharmacies who claimed they were owed 500,000 reais (then $570,000) for overtime and holidays. Since the new owners lacked the payroll records, the labour court ruled against them—even though they had only just bought the business and the claimants had been in charge of payroll and work scheduling. The court froze their bank accounts, so they had to close the stores, with 35 redundancies. Seventeen years later three of the cases have been settled, for a total of 191,000 reais. The last drags on as the claimant's widow and son squabble over how much to accept.
Mr Lemos and his partners fell foul of Brazil's labour laws, a collection of workers' rights set out in 900 articles, some written into the country's constitution. They were originally derived from the corporatist labour code of Mussolini's Italy. They are costly: redundancies “without just cause” attract a fine of 4% of the total amount the worker has ever earned, for example. (Neither a lazy employee nor a bankrupt employer constitutes just cause.) Some are oddly specific: for example, annual leave can only be taken in one or two chunks, neither of less than ten days. In 2009, 2.1m Brazilians opened cases against their employers in the labour courts. These courts rarely side with employers. The annual cost of running this branch of the judiciary is over 10 billion reais ($6 billion).
That many of the new jobs are formal (ie, legally registered) is despite, rather than because of, the labour laws. The trend to formalisation is largely a result of the greater availability of bank credit and equity capital on the one hand, and recent changes that make it easier to register micro-businesses on the other. And it coexists with two longstanding Brazilian weaknesses: high job turnover and low productivity growth.Businessmen have long complained that these onerous labour laws, together with high payroll taxes, put them off hiring and push them to pay under the table when they do. When Luiz Inácio Lula da Silva, a former union leader, became Brazil's president in 2003, they hoped he would be better placed than his predecessors to persuade workers that looser rules would be better for them. But scandals in his first term derailed these and other hoped-for reforms. More recently, as Brazil's economy has boomed, with record numbers of jobs created, the need for change has seemed less pressing. The laws are “very up-to-date”, the labour minister, Carlos Lupi, said in December. He wants firing workers to become still pricier.
Gustavo Gonzaga, an economist at Rio de Janeiro's Catholic University, notes that a remarkable one-third of Brazilian workers are made redundant each year, a fact he attributes in part to the labour laws themselves. These are extraordinarily rigid: they prevent bosses and workers from negotiating changes in terms and conditions, even if they are mutually agreeable. They also give workers powerful incentives to be sacked rather than resign. Generous and poorly designed severance payments cause conflict, Mr Gonzaga says, and encourage workers to move frequently. That churn affects productivity, as employers prefer not to spend on training only to see their investment walk away.
Recently, the cause of reform has gained a surprising recruit: the very trade union that Lula himself once led. The ABC metalworkers' union, which represents 100,000 workers in the industrial suburbs of São Paulo, is trying to make union-negotiated agreements binding in the labour courts. At present unions in Brazil cannot strike the sort of deals that are common elsewhere, such as accepting pay cuts during downturns in return for no job losses, since individual workers may later ask the labour courts to unpick them. Hélio Zylberstajn, the president of the Brazilian Institute of Employment and Labour Relations, a study group, thinks the initiative is promising. Unions with the power to negotiate might spend more time representing their members and less cosying up to politicians, he says. And employees' grievances might get resolved quickly in the workplace, rather than slowly in court.
The metalworkers' proposals could improve matters, at least for big companies. For smaller firms, and foreign investors, the best advice will still be “employer, beware”. Ana Rita Gomes, of Mattos Filho Advogados, a São Paulo law firm, talks to potential clients about what she calls “pots of gold”: practices that seem innocuous to the uninitiated, but lead straight to the labour courts. One example is stating salaries in a foreign currency. Exchange-rate fluctuations mean that this falls foul of a ban on ever paying an employee less one month than the previous one. Once her clients are suitably terrified, she explains why they should still proceed—with caution. “These difficulties put other investors off,” she says. “That means less competition for them, and higher profits.”
In Pernambuco Mr Lemos is turning his mistakes to good use by advising other businessmen. He tells them to walk away from a deal unless the seller can produce payroll records, settles all outstanding labour-court cases and promises compensation if further cases are brought regarding matters that predate the sale. The new owner will still be liable if the old one cannot pay, he says, but at least there is less scope for bad faith. He recently learned that before his own ill-starred purchase the seller told his staff that the new boss was rich, and that they should save up their grievances until the deal went through."
domingo, 7 de abril de 2013
Falhas de mercado existem, ok. E daí?
Existem falhas de mercado, isso é inegável pois o mesmo é uma instituição humana. Mas daí a inferir que o governo estaria apto a corrigir essas falhas são outros quinhentos [citação do Coordination Problem]
"Understanding "market failure" and the omnipresence of negative externalities can lead us to make the comparison that does matter. Implicit in negative-externality arguments for intervention is the claim that the political process will actually do what economists say it should do. That is, politicians will impose the blackboard solution. However, the public choice5 revolution that began in the 1960s has challenged that assumption by showing how governments also fail. Politicians' self-interest, combined with the limits to their knowledge, mean that they likely will not and cannot produce the ideal outcome. We are left to ponder which of two imperfect systems will serve us better: the "failed" market or the "failed" political process. We have many reasons to think that markets will outperform government in this regard, even in less-than-perfect conditions. One approach sees every "market failure" as an opportunity for entrepreneurs to solve a problem and discover, through profit and loss, how well they have done. Political processes do not have the requisite incentives and knowledge-conveying processes to do as well."
Sem mais...
BRILHANTEMENTE, Diogo Costa:
"Conquistados Sociais
"Conquistados Sociais
“Antigamente havia muito mais trabalho”, disse Emily Mbongwa, a mulher de 52 anos fotografada em 2010 para o NY Times. A Sra. Emily mora em Newcastle, África do Sul. Para tomar conta de cinco crianças, das 6h às 18h, de segunda a sexta, ela ganha 70 dólares por mês
A Sra. Emily ganhava mais com seu emprego antigo, na manufatura têxtil. Mas esse emprego não existe mais. Em 2010, várias fábricas foram fechadas na África do Sul porque pagavam salários em torno de 154 dólares. O salário mínimo era de 244 dólares. Aquelas mulheres estavam fora da lei.
A imposição do salário mínimo não foi bem recebida. Quando a polícia chegou para fechar uma fábrica em Newcastle, relata o NY Times,
as mulheres trabalhando na fábrica – as supostas beneficiárias da repressão – subiram em cima das mesas de corte e das tábuas de engomar para clamar contra. “Por quê? Por quê?”, gritava Nokuthula Masango, de 25 anos, depois que as autoridades levaram embora carrinhos de tecido colorido.
O problema do desemprego na África do Sul não começou em 2010. Durante o apartheid, negros eram impedidos de casar com brancos, frequentar as mesmas escolas que os brancos e, é claro, impedidos de ter os mesmos empregos que os brancos. Essa última imposição foi conquistada com medidas de salário mínimo. “O salário mínimo dmiminui o custo da discriminação”, explica o economista Walter Williams:
Durante a era de aparhteid da África do Sul, seus sindicatos racistas estavam entre os principais apoiadores do salário mínimo para os negros. O Conselho de Salários da África do sul dizia, “o método seria estabelecer uma taxa mínima para uma ocupação ou ofício tão alta que nenhum Nativo seria provavelmente empregado.”
Durante o apartheid, a Sra. Emily não aprendeu a ler, escrever nem recebeu treinamento profissional qualificado. Dizia que pelo menos na fábrica ela era “tratada com respeito”. Era melhor que ter que suportar os xingamentos racistas dos filhos da família onde, antes da fábrica, ela trabalhava como doméstica das 6h às 21h.
“Transferência de aprendizagem” é o nome dado a um dos maiores desafios da pedagogia moderna. Ao aprendermos determinado conceito ou raciocínio no contexto X, não fazemos automaticamente a aplicação do mesmo conceito ou raciocínio quando nos apresentam o contexto Y. Há um século, a psicologia vem mostrando exemplos dessa dificuldade humana. Aprender Latim não melhora o desempenho acadêmico em outras áreas, resolver um quebra-cabeças não melhora muito a capacidade de resolver outros quebra-cabeças visualmente diferentes mas logicamente semelhantes. É como se nossa mente aprendesse a calcular a área de uma mesa retangular, mas continuasse sem saber calcular a área de um campo de futebol. Ou, como dizia Millôr Fernandes, o xadrez funciona como “um jogo chinês que aumenta a capacidade de jogar xadrez.”
A economia é cheia de problemas de transferência de aprendizagem, inclusive nas suas proposições mais fundamentais. Por exemplo, quando o preço da energia sobe, as pessoas usam mais ou menos o ar condicionado? Ou quando se aumenta o pedágio, as pessoas vão dirigir mais ou menos na estrada?
E quando o governo aumenta o preço da contratação de trabalhadores? Vão ser contratados mais ou menos trabalhadores? Não precisa cursar economia para ver que a questão é apenas mais uma aplicação da lei de oferta e demanda. Então por que meus amigos socialistas chamam o aumento do preço da energia ou do pedágio de “exploração”, mas chamam a PEC das Domésticas de “conquista social”.
A pior consequência da PEC das domésticas não é mandar os homens para a cozinha, como sugeriu a capa “classe média revoltada” da Veja. É mandar as domésticas embora. O que aconteceu na África do Sul está acontecendo no Brasil:
Meu patrão teve que me mandar embora por causa das horas extras, já que eu trabalhava doze horas por dia. Ele disse que não teria condições de pagar — disse Maria, que cuidava da esposa do patrão, portadora de Alzheimer.
Maria Aparecida dos Santos é uma mulher de 65 anos que viu sua renda desaparecer três dias depois da aprovação da Emenda. O patrão preferiu contratar uma empresa: “O serviço terceirizado sai pela metade do preço, não tem aviso prévio nem FGTS.” De fato, há muitas mulheres que se beneficiarão da lei, mas apenas às custas das mais vulneráveis. O Sindicato das Empregadas domésticas do Rio diz que está atendendo agora 50 pessoas por dia, quando antes atendia 30. Ao aumentar o custo de contratação de empregadas domésticas, a Proposta de Emenda Constitucional 66/2012 está, à margem, efetivando a exclusão trabalhista de empregadas domésticas.
Medidas que prometem poder aos pobres podem acabar por deixá-los ainda mais frágeis. Pensem na relação da Dona Maria Aparecida com seu patrão. Me digam, quando ele esteve com mais poder sobre ela, antes ou depois da PEC? Exclusão trabalhista aumenta as chances dos trabalhadores terem que aceitar piores condições e rejeitar a formalidade para poderem pagar as contas.
A mesma exclusão trabalhista decorre do resto das nossas conquistas sociais. O Brasil lidera o ranking de 25 países, da consultoria UHY, que mede o peso dos impostos sobre a contratação de funcionários. Para um salário anual de 30 mil dólares, o empregado brasileiro custa 17.267 dólares a mais para seu empregador. Ou seja, 57,56% do seu salário são apenas impostos. Nossos amigos de sigla impõem custos menores. Na China, os impostos tomam 30,88% do salário; na Rússia, 21,06% e na Índia, 3,67%. Alguém ainda tem dúvidas de por que empresas preferem abrir e contratar trabalhadores no leste asiático?
Mas, mais uma vez, a transferência de aprendizagem parece desafiar muitos brasileiros. Achamos que aumentar o preço do trabalho do pobre por meio de encargos e impostos equivale a aumentar o valor do trabalho do pobre por meio de capital e produtividade.
O Brasil não precisou passar por uma ditadura racial para fazer com os pobres o que o apartheid fazia com os negros.
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Produtividade às canetadas?
Quando da decisão que resolveu [quase que] equiparar o trabalho doméstico ao prestado com finaldades lucrativas [custo esse que já é alto para atividades menos produtivas, que dirá para atividades que sequer geram renda ao empregador] muita gente disse que era um avanço no sentido CIVILIZATÓRIO da coisa [inclusive na reportagem citada abaixo]. Mas como assim? Se abundam pessoas com baixa capacidade produtiva - principalmente nas regiões mais pobres - e que, para essas, a remuneração máxima que alguém se disponha a pagar pelo serviço que possam prestar é bem menor dos que os quase mil reais com encargos trabalhistas INEGOCIÁVEIS é por, simplesmente, os patrões serem uns filhos-da-puta mãos-de-vaca e que, nos países mais desenvolvidos a conversa é outra, os salários são mais altos não por causa de uma maior produtividade geral dos habitantes locais mas por causa de leis trabalhistas mais rígidas e ponto final? Quer dizer, países mais desenvolvidos podem até se dar ao luxo de arcar com legislações trabalhistas mais escrotas e claramente anti-isonômicas que as nossas [DU-VI-Dê-Ó-DÓ]mas não seria o fato da população ser mais produtiva que a nossa a ponto deserviços domésticos custarem os olhos da cara? Será mesmo que o desenvolvimento do chamado Primeiríssimo Mundo se deu por canetadas certeiras de seus competentes legisladores que souberam refrear a ganância dos mais ricos e distribuir mais equitativamente o bolo social? Cês juram mesmo?
Aqui vai uma reportagem publicada no Blog do Noblat e que conta a realidade do serviço doméstico aqui no Brasil,no uruguai [de passagem, mas conta] e nos EUA. Devo salientar que, apesar do texto não se referir ao fenômeno sob este aspecto [coloquei-o como ilustração], suspeito que a falta/escassez de serviço doméstico no América do Norte não é fruto da sensibilidade patronal que abriu mão destes - ou por questões trabalhistas - mas, antes, em razão da produtividade marginal ser bem maior por lá, além das "facilidades" com que o serviço doméstico pode ser executado por aquelas plagas. É óbvio que a produtividade é diretamente relacionada aos exemplos comumente relatados de pais de famíia fazendo suas próprias reformas, pintando suas próprias casas etc., coisas que aqui, definitivamente, somente são feitas por pessoas em dificuldades monetárias e/ou mais mão-de-vaca mesmo, afinal, nem de longe o aparato técnico ideal para isso é encontrado com a facilidade que é nos EUA. O acúmulo de capital - com seu relacionado aumento de produtividade - que proporciona tail "faça-vocÊ-mesmo" ser a melhor opção no custo-benefício da coisa. Não uma lei boboca escrita por legisladores que, nem de longe, têm as mesmas preocupações que um pai [ou mãe] de família comum.
"WASHINGTON e NOVA YORK. Filhos da classe média de Brasília, Bruno Oliveira, de 31 anos, e Melinda Rojas, de 30, foram criados cercados de empregados domésticos. Recém-casados, sem filhos, levaram o hábito para a nova vida: contrataram uma ajudante para todos os dias. Admitem que não viam a cor da cozinha, passavam longe da vassoura, não guardavam roupas e sapatos após o trabalho e organização não era palavra encontrada em seus dicionários. Mudaram para o Uruguai em 2010 já com a bebê Olívia e encontraram um cenário semelhante ao do Brasil — mão de obra farta e barata. Não pensaram duas vezes: tinham empregada diariamente. Bruno confessa:
— Quando tinha que fazer alguma coisa em casa, ficava irritado. Uma vez me dei conta de que não pisava na área de serviço havia três meses!
No início de 2012, Bruno foi transferido para os EUA. Mas a mudança foi muito maior do que a de emprego. Num país em que uma faxineira custa US$ 130 (cerca de R$ 260) por três ou quatro horas de serviço, a babá sai a US$ 15 a hora e as creches públicas são raras – custando, as privadas, ao menos US$ 1.000 em horário parcial —, a família passou por uma revolução doméstica.
Para facilitar a adaptação, Melina passou a trabalhar de casa e a divisão de tarefas virou lei. Ela cuida da filha, cozinha, lava e seca as roupas e mantém a ordem na área social. Bruno, que trabalha em horário integral, fica com a limpeza pesada, geralmente aos sábados: lava três banheiros, cozinha e áreas de serviço e externa. À noite, ajuda com a louça – e tem que cuidar da própria roupa, que separa para lavar e guarda quando seca.
— Foi um choque, um estilo de vida que só via em filmes. Mas a cultura do faça-você-mesmo tem seus ajudantes: eletrodoméstico para tudo; os produtos de limpeza são potentes e fáceis de manejar; até os tecidos amassam menos — afirma Melina.
Bruno acrescenta que os serviços fora de casa cabem no orçamento. Suas camisas sociais vão para a lavanderia. Se custavam R$ 10 cada no Brasil, saem a menos de US$ 2 (menos de R$ 4) em Fallschurch, subúrbio da Virgínia.
— Mas é a organização, aprender a usar agenda diariamente, que demonstra que você pode fazer. Pode não ficar perfeito, mas é satisfatório — garante Bruno.
Olívia, hoje com 3 anos, não fica de fora: brincando, ajuda na lavanderia, com a lava-louça e na hora de fazer a cama. E não pode trocar de brincadeira sem guardar os objetos da diversão anterior.
— A brincadeira de hoje é o hábito de amanhã. Queremos que ela leve isso para o Brasil — explica Melina, que vai colocar Olívia na creche a partir de agosto para voltar a trabalhar meio expediente.
Quando a ajuda é indispensável, o setor público nos EUA se apresenta, por exemplo, com o auxílio a crianças com deficiência. Christiane, de 36 anos, e Diego Bonomo, de 31, são pais de Vito, que nasceu com síndrome de Down e tem 2,9 anos, e Lara, de 1,8 ano. Não era opção largar o emprego ou trabalhar meio expediente. Os brasileiros recorreram ao estado da Virgínia, que, após pesquisa domiciliar, passou a pagar 11 horas de atendimento em casa a Vito. A criança, embora frequente creche de 9h às 12h, tem atividades terapêuticas obrigatórias ao seu desenvolvimento nos outros horários e precisa de quem o acompanhe.
A família contratou uma segunda pessoa, no esquema de au-pair (universitária brasileira que mora em casa e tem estudo e seguro-saúde pagos pelo casal).
— Mas só temos ajuda quando estamos fora de casa. Das 6h às 7h30, nós é que arrumamos, damos café. Um de nós sai mais cedo e outro mais tarde, negociado com os patrões, em dias alternados, para podermos deixar o Vito na escola. Na saída, nós que pegamos. Quando entramos em casa, 17h30, 18h, não tem mais ajuda. Damos comida e banho, brincamos e colocamos para dormir. A empregada dorme, mas o horário dela acaba muito antes — explica Chris.
Diego considera o ambiente nos EUA propício à organização:
— Facilita a forte cultura familiar, ao menos nas grandes empresas dos EUA, porque há espaço para você negociar horário com os chefes, porque ele mesmo tem necessidades a atender. O transporte público também ajuda, eu não uso carro, saio correndo do trabalho e pego metrô para chegar na escola. Às sextas-feiras, quando o casal quer sair, eles pagam adicional à funcionária que dorme, como baby sitter.
— Não está no contrato dela, então é hora extra — diz Chris.
Criados com empregados, Chris e Diego consideram a nova legislação brasileira um grande avanço e esperam que ela gere uma sacudida no machismo brasileiro. Tentarão, na volta ao Brasil, em julho, manter a estrutura mais enxuta possível e reproduzir o esquema pessoal que têm em casa — mesmo desejo de Bruno e Melina.
— Acho que no Brasil se terceiriza demais a criação dos filhos. A mulher quer sair do trabalho e ir à academia. Eu também vou à academia, mas quando posso: na minha hora de almoço. Encerrado o trabalho, a vida é da família. Essa é uma escolha que se faz quando se decide ser mãe e pai — afirma Chris.
Já a coordenadora de um grande escritório paulista de arquitetura em Nova York, onde mora há 20 anos — 16 deles com o marido, o executivo do mercado financeiro André Soares —, a carioca Lenka Soares, de 39 anos, tem em casa hoje um regime parecido com o proposto pela nova legislação brasileira. Desde que sua filha, Catarina, hoje com 4 anos, nasceu, ela contratou uma babá mineira que trabalha oito horas por dia de segunda a sexta-feira (a diária custa US$ 120) e ganha US$ 15 a mais por cada hora extra.
— Aqui a vida é mais complicada, não tenho a liberdade de ir e vir, mas estou acostumada. Quando saio à noite, o que é raro, chamo uma baby sitter (US$ 15 por hora mais US$ 20 de táxi após as 21h). O lado bom é que a família fica mais unida, as crianças têm os pais mais presentes. Meu marido chega cedo do trabalho, enquanto no Brasil as pessoas que fazem o mesmo que ele só estão em casa depois das 21h, 22h. Jantamos os três juntos às 19h15 todas as noites — conta ela. — O André sempre ajudou muito. O pai aqui precisa ser muito mais participativo, aprende a ficar sozinho com os filhos. Nos fins de semana os dois saem bastante juntos. No Brasil não vejo os pais passarem nem meia hora sem uma babá do lado.
Lenka lembra que, para facilitar, a maioria das suas amigas de Nova York tem os filhos estudando em horário integral, das 8h30 às 15h30, a partir dos 3 anos.
—
Pior do que a falta de serviço é a falta de ajuda familiar. Não existe ligar para um amigo dizendo "vou deixar minha filha aí porque tenho uma reunião". Ninguém tem esquema, então é cada um por si. Mas assim criamos crianças mais independentes. Desde os 2 anos minha filha come sozinha, escova os dentes e mantém o quarto impecável — diz.
Quando decidiu se mudar de São Paulo para Nova York, em 2008, após dez anos de trabalho na American Express, o administrador Cid Uehara, que hoje trabalha como motorista particular, sabia que dali para frente tudo seria diferente na rotina doméstica da família.
— Minha filha quando chegou aqui, com 10 anos, nunca tinha feito uma cama na vida. Hoje ela lava louça, banheiro, arruma a casa, toma conta do irmão. Ele tem 9 anos e é o responsável por botar o lixo pra fora. Três vezes por semana coleta os lixos dos quartos e banheiros, junta com o da cozinha, separa para reciclar em três grupos diferentes (orgânico, papel, vidro com plástico). Também arruma a própria cama — conta, lembrando que no estado de Nova York é proibido deixar menores de 15 anos em casa desacompanhados, e, agora que chegou a essa idade, a menina vai poder ajudar ainda mais. — Aqui nós nunca tivemos empregada na vida, nem por um dia, porque é muito caro.
Em Manhattan, uma diarista cobra entre US$ 80 e US$ 120 por um período de três ou quatro horas.
— A maior mudança foi a criação de uma responsabilidade que no Brasil não teríamos. Lá certamente haveria uma pessoa para arrumar a casa. Não foi uma opção nossa. Aqui você obrigatoriamente tem que fazer o que alguém faria por você. Mas foi bom principalmente para os meus filhos. Nos EUA tudo é mais fácil. Basta dizer que comer fora é mais barato do que cozinhar em casa — diz Uehara.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Grécia, Euro e "austeridade para quê, né?"
A tragédia do euro e o caso da Grécia******
Os eventos fiscais na Grécia são exemplares da tragédia do euro e seus incentivos perversos. Quando a Grécia entrou na União Monetária Europeia, três fatores se combinaram para gerar déficits excessivos no orçamento do país. Primeiro, a Grécia foi admitida a uma taxa de câmbio muito alta. Com essa taxa e com os salários vigentes, muitos trabalhadores se tornaram pouco competitivos em relação aos trabalhadores dos países do norte, muito mais capitalizados. Para aliviar esse problema, as alternativas eram (1) reduzir os salários para aumentar a produtividade, (2) aumentar os gastos governamentais para subsidiar os desempregados (com seguro-desemprego ou esquemas de aposentadoria prematura), ou (3) empregar esses trabalhadores pouco competitivos diretamente no setor público.
Por causa dos poderosos sindicatos, a primeira alternativa foi deixada de lado. Os políticos optaram pela segunda e terceira alternativas, as quais geraram altos déficits orçamentários.
Segundo, por ter entrado na União Monetária Europeia, o governo grego podia agora contar com uma garantia implícita de socorro do Banco Central Europeu e dos outros países-membros da UME. As taxas de juros sobre os títulos da dívida do governo grego caíram para níveis próximos dos da Alemanha. Consequentemente, os custos marginais de se incorrer em déficits foram reduzidos para o governo grego. As taxas de juros estavam agora artificialmente baixas. A Grécia era um país que já tinha dado vários calotes ao longo do século XX e que estava acostumado a altas taxas de inflação e a altos déficits, bem como a um crônico déficit na balança comercial. Apesar disto tudo, o país passou a poder se endividar pagando praticamente as mesmas taxas de juros da Alemanha, um país com um histórico fiscal conservador e com um impressionante saldo na balança comercial.
Terceiro, a tragédia dos comuns entra em cena. Os efeitos deste temerário comportamento fiscal do governo grego podia ser parcialmente externalizado para os outros membros da UME, uma vez que o Banco Central Europeu passou a aceitar títulos da dívida do governo grego como colateral para suas operações junto ao sistema bancário. Os bancos europeus passaram a comprar títulos do governo grego (os quais pagavam um bônus em relação aos títulos do governo alemão) e a utilizar esses títulos para receber empréstimos do BCE a juros baixos (atualmente a juros de 1%, um negócio altamente lucrativo).
Os bancos compraram títulos gregos porque sabiam que o BCE iria aceitar esses títulos como colateral para conceder novos empréstimos. Havia demanda por esses títulos gregos porque os juros que os bancos pagavam para o BCE eram menores do que os juros que os bancos recebiam do governo grego. Caso o BCE não aceitasse os títulos gregos como colateral para seus empréstimos, a Grécia teria de pagar juros muito maiores sobre sua dívida. Com efeito, o governo grego tem sido de certa forma socorrido ou sustentado pelo resto da UME por um longo tempo, em um perfeito exemplo da tragédia dos comuns.
Os custos dos déficits gregos foram parcialmente jogados para outros países da UME. O BCE criou novos euros ao aceitar os títulos do governo grego como colateral. As dívidas gregas foram assim monetizadas. Com o dinheiro que recebeu com a venda de seus títulos, o governo grego elevou os gastos para ganhar apoio e popularidade junto à população grega. Quando os preços começaram a subir na Grécia, o dinheiro fluiu para os outros países, elevando os preços no resto da UME. Nos outros países-membros, as pessoas começaram a sentir os preços de suas compras subindo mais rapidamente do que suas rendas. Esse mecanismo significou uma redistribuição de renda a favor da Grécia. O governo grego estava sendo socorrido e auxiliado pelo resto da UME em uma constante transferência de poder de compra.
****Final do nono cápítulo do Livro linkado acima [ "A tragédia do EURO", de Bagus]
****Final do nono cápítulo do Livro linkado acima [ "A tragédia do EURO", de Bagus]
segunda-feira, 25 de março de 2013
Time After Time - The Same Crap Again
*Cesar Ailson Barros
Além da parte em que há propaganda pura [nuncaanteznesteplaneta tivemos tantos pobres. Bem, é verdade, nunca antes tivemos qualquer tipo de gente, afinal, nunca fomos tantos bilhões antes. Queria-se o que? Um genocidiozinho para ~aliviar~ o Planeta de boa parte de sua carga? Além do mais... qual a idade desse mala? Não será que havia uma pobreza bem pior pelo Mundo antes? Que diria ele da época da Guerra Fria? Não havia tensão o suficiente àquela época? Tá de brincadeira...] é uma maneira de esconder um dos importantes lados dessa batalha: os governos e os respectivos políticos e aliados. Alguém acha que existem mais ricos do “lado certo” independentemente de estarem nos 1% de lá ou dos 99% de cá ou mais POLÍTICOS do “lado do bem”? [acho eu que] Estes últimos estão em sua maioria do lado “errado” da tal guerra entre opressores e oprimidos, sendo claro que PARTE dos 1% têm sua ligação com o meio político e manda e desmanda, desvia etc., mas não estão entre esses 1% somente bandidos e larápios, que conversa é essa? Cuidado, essa conversa de ricos contra pobres é uma cortina de fumaça ideológica para esconder a verdadeira guerra entre os livremercadistas [que apoiam a liberdade individual não-agressiva [i.e. consensual] ACIMA do Estado que está lá somente para garantir que esses direitos sejam estendidos ao maior número possível] e os estatólatras que pretendem que essa ~individualização extrema~ [como extrema? Podemos ser MENOS indivíduos, então?] é um risco para a sociedade como um todo e que o poder do Estado é, pois, maior e mais importante socialmente do que meros indivíduos, ESTEJAM OU NÃO AGREDINDO OUTREM. E eis a pegadinha da coisa: um indivíduo pacífico é MENOR do que a sociedade, desde que arrume-se uma desculpa para legitimar a agressão contra aquele. E a culpa dos males do mundo é de quem se opuser ao esquema. No estilo “ame-o ou deixe-o” [nem todo lugar permite a saída, aliás, quanto mais radicalmente oposto às liberdades individuais e mais estatólatras, nem isso – vazar com mais de mil – é permitido.
Pinta-se uma figura que encaixa na bobageira marxista e se esquece do principal: quem manda realmente nas tais fábricas chinesas e quem permite – influencia, apóia, leva vantagem etc. – o Partido Comunista ChinÊs. Há um documentário [China triumph and turmoil], que tem três importantíssimas partes e foi produzido pelo Channel Four, em que é desvelada a realidade: quando um grande empresário chinês, ambientado na África [infelizmente esqueci o nome do país, mas assistam ao vídeo e confiram. O que importa é que o chinÊs afirmou que ele e sua família estão ambientados ao ponto do repórter - Niall Ferguson - perguntar à filha do cara se ela se considera chinesa ou africana ao que a guria responde: “africana” – para a surpresa e felicidade do pai!], enfim, um figurão encarregado de uma mineradora, se ele era rico por possuir tamanho empreendimento ele responde: “quem dera fosse meu. É tudo ~da China~. Ou seja, esse tal Grande Salto talvez seja o salto de um gigante [é o salto de um gigante], mas um gigante burocrático, corrupto e cheio de tentáculos, dono de tudo o que se possa imaginar crescer de verdade [no mínimo sócio, mas tenho minhas dúvidas se há sequer essa tênue linha]
A que ponto chegou a coisa... Claramente a questão não é do capitalismo ser mal e querer o mal dos empregados, temo que isso seja um mal inerentemente humano, aliás, não é culpa de algum ~sistema~. A questão é que, justamente, não há liberdade para prosperar na China sem ser por meio da bênção governamental. Tenho minhas dúvidas a respeito dessa massa bem crescida cair nesse conto do vigário de que é preciso uma ditadura, sim , mas uma que seja REALMENTE do proletariado. Ora, ditadura alguma vai resolver coisa alguma a médio ou longo prazo. O máximo que uma ditadura consegue é pilhar mais e mais – uma hora não vai ter mais o que sugar e para onde crescer sem um inevitável colapso [assim espero e creio fervorosamente]. Mas o ponto é: a instituição governamental precisa garantir a segurança de seus cidadãos, e primeiro e fundamental direito é de cada um ser dono de seu próprio corpo, ter suas opiniões, se engajar em quaisquer empreitada que deseje – desde que não fira o igual direito alheio. Um governo que quer te impedir de tomar posse de uma Terra “pública”, colher seus frutos dessa mesma terra e negociá-los como bem entender com qualquer outra pessoa está, na verdade, agindo contrariamente à natureza humana e, portanto, é ilegítimo e ditatorial. Dom Huan nele! Mas a luta correta não é por uma Ditadura Sindical ou ditadura alguma, por mais que seja importante as questões por melhores salários, é pelo direito de livre empreender – [para tentar] ser mais produtivo – a verdadeira causa a ser seguida.
Um texto foi indicado pelo nobre professor Adrualdo Catão , bastião liberal aqui nas Alagoas, e
resolvi reproduzir algumas linhas aqui nesse espaço eminentemente
libertário, bem como comentar alguns equívocos - será mesmo que não foi propositalmente, com a intenção de desinformar? [excertos em inglês]
“From the floor of the U.S. Congress to the streets of Athens to the
assembly lines of southern China, political and economic events are being
shaped by escalating tensions between capital and labor to a degree unseen
since the communist revolutions of the 20th century. How this struggle plays
out will influence the direction of global economic policy, the future of the
welfare state, political stability in China, and who governs from Washington to
Rome. What would Marx say today? “Some variation of: ‘I told you so,’” says
Richard Wolff, a Marxist economist at the New School in New York. “The income
gap is producing a level of tension that I have not seen in my lifetime.
Tensions between economic classes in the
U.S. are clearly on the rise. Society has been perceived as split between the
“99%” (the regular folk, struggling to get by) and the “1%” (the connected and
privileged superrich getting richer every day). In a Pew Research Center poll released last year, two-thirds of
the respondents believed the U.S. suffered from “strong” or “very strong”
conflict between rich and poor, a significant 19-percentage-point increase from
2009, ranking it as the No. 1 division in society.”
Além da parte em que há propaganda pura [nuncaanteznesteplaneta tivemos tantos pobres. Bem, é verdade, nunca antes tivemos qualquer tipo de gente, afinal, nunca fomos tantos bilhões antes. Queria-se o que? Um genocidiozinho para ~aliviar~ o Planeta de boa parte de sua carga? Além do mais... qual a idade desse mala? Não será que havia uma pobreza bem pior pelo Mundo antes? Que diria ele da época da Guerra Fria? Não havia tensão o suficiente àquela época? Tá de brincadeira...] é uma maneira de esconder um dos importantes lados dessa batalha: os governos e os respectivos políticos e aliados. Alguém acha que existem mais ricos do “lado certo” independentemente de estarem nos 1% de lá ou dos 99% de cá ou mais POLÍTICOS do “lado do bem”? [acho eu que] Estes últimos estão em sua maioria do lado “errado” da tal guerra entre opressores e oprimidos, sendo claro que PARTE dos 1% têm sua ligação com o meio político e manda e desmanda, desvia etc., mas não estão entre esses 1% somente bandidos e larápios, que conversa é essa? Cuidado, essa conversa de ricos contra pobres é uma cortina de fumaça ideológica para esconder a verdadeira guerra entre os livremercadistas [que apoiam a liberdade individual não-agressiva [i.e. consensual] ACIMA do Estado que está lá somente para garantir que esses direitos sejam estendidos ao maior número possível] e os estatólatras que pretendem que essa ~individualização extrema~ [como extrema? Podemos ser MENOS indivíduos, então?] é um risco para a sociedade como um todo e que o poder do Estado é, pois, maior e mais importante socialmente do que meros indivíduos, ESTEJAM OU NÃO AGREDINDO OUTREM. E eis a pegadinha da coisa: um indivíduo pacífico é MENOR do que a sociedade, desde que arrume-se uma desculpa para legitimar a agressão contra aquele. E a culpa dos males do mundo é de quem se opuser ao esquema. No estilo “ame-o ou deixe-o” [nem todo lugar permite a saída, aliás, quanto mais radicalmente oposto às liberdades individuais e mais estatólatras, nem isso – vazar com mais de mil – é permitido.
“Resentment is reaching a boiling point in China’s factory towns. “People
from the outside see our lives as very bountiful, but the real life in the
factory is very different,” says factory worker Peng Ming in the southern
industrial enclave of Shenzhen. Facing long hours, rising costs, indifferent
managers and often late pay, workers are beginningto sound like true
proletariat”
Pinta-se uma figura que encaixa na bobageira marxista e se esquece do principal: quem manda realmente nas tais fábricas chinesas e quem permite – influencia, apóia, leva vantagem etc. – o Partido Comunista ChinÊs. Há um documentário [China triumph and turmoil], que tem três importantíssimas partes e foi produzido pelo Channel Four, em que é desvelada a realidade: quando um grande empresário chinês, ambientado na África [infelizmente esqueci o nome do país, mas assistam ao vídeo e confiram. O que importa é que o chinÊs afirmou que ele e sua família estão ambientados ao ponto do repórter - Niall Ferguson - perguntar à filha do cara se ela se considera chinesa ou africana ao que a guria responde: “africana” – para a surpresa e felicidade do pai!], enfim, um figurão encarregado de uma mineradora, se ele era rico por possuir tamanho empreendimento ele responde: “quem dera fosse meu. É tudo ~da China~. Ou seja, esse tal Grande Salto talvez seja o salto de um gigante [é o salto de um gigante], mas um gigante burocrático, corrupto e cheio de tentáculos, dono de tudo o que se possa imaginar crescer de verdade [no mínimo sócio, mas tenho minhas dúvidas se há sequer essa tênue linha]
Outro exemplo, tirado do mesmo documentário, é o do visita do
repórter a uma cidade pequena. Claro, lhe designam um ~guia~. Com esse guia ele
anda pela cidadezinha e adentra numa barbearia e pergunta ao dono como são as
coisas por lá. A resposta? “tá tudo muito bem, aqui na China é uma maravilha, nunca
estivemos tão bem, aliás, não precisamos de nada.” Para a surpresa de Ferguson,
o fato se repetiu em cada estabelecimento que ele encontrou por lá. Coincidentemente,
havia sempre um ~guia~ por perto para ver se alguém iria se meter a besta e
dizer que, sei lá, o Caminhão do Lixo não passou ontem. Impressionante.
A única tensão citada no documentário é o Dom Luan [ou Don Huan,
não entendi direito a pronúncia. Aliás, gostaria de fazer –ou comprar- uma
camiseta com esse ideograma qualquer dia. É o "turmoil" do título]¹, a grande revolta da massa oprimida por
gente como esses milhares e milhares de funcionários públicos em cada esquina,
bairro, central de apartamentos, fábricas etc., numa onipresença que consegue
se tornar difusa, disfarçada, até mesmo para impor o medo – e que alimenta uma
indústria da delação – todos “juntos” em uma máquina de mandar e desmandar, organizada
em vários níveis até chegar aos grandes tubarões chineses. O medo que dá é a
canalha resolver fazer guerra com algum inimigo externo para manobrar essa
mesma massa para morrer pela Grande China ou o que seja. Mas a luta aqui não é
contra o capital malvado: é contra a instituição estatal que em vez proteger as
propriedades individuais e os contratos livremente acordados torna-se a máquina
que explora uns em favor de outros. E o que certa mídia diz? Que a China é um
exemplo de como o governo pode ~comandar~ uma economia para o ~bem geral~. Bem geral
de uns à custa de outros fica um tanto contraditório, né? O bem geral seria
melhor atingido se essa instituição procurasse defender e respeitar as escolhas
individuais. É isso, e mais nada, que foi e tem sido chamado – preconceituosamente
– de capitalismo.
“The way the rich get money is through
exploiting the workers,” says Guan Guohau, another Shenzhen factory employee.
“Communism is what we are looking forward to.” Unless the government takes
greater action to improve their welfare, they say, the laborers will become
more and more willing to take action themselves. “Workers will organize more,”
Peng predicts. “All the workers should be united.”
That may already be happening. Tracking the level
of labor unrest in China is difficult, but experts believe it has been on the
rise. A new generation of factory workers — better informed than their parents,
thanks to the Internet — has become more outspoken in its demands for better
wages and working conditions. So far, the government’s response has been mixed.
Policymakers have raised minimum wages to boost incomes, toughened up labor
laws to give workers more protection, and in some cases, allowed them to
strike. But the government still discourages independent worker activism, often
with force. Such tactics have left China’s proletariat distrustful of their
proletarian dictatorship. The government thinks more about the
companies than us,” says Guan. If Xi doesn’t reform the economy so the ordinary
Chinese benefit more from the nation’s growth, he runs the risk of fueling
social unrest.
A que ponto chegou a coisa... Claramente a questão não é do capitalismo ser mal e querer o mal dos empregados, temo que isso seja um mal inerentemente humano, aliás, não é culpa de algum ~sistema~. A questão é que, justamente, não há liberdade para prosperar na China sem ser por meio da bênção governamental. Tenho minhas dúvidas a respeito dessa massa bem crescida cair nesse conto do vigário de que é preciso uma ditadura, sim , mas uma que seja REALMENTE do proletariado. Ora, ditadura alguma vai resolver coisa alguma a médio ou longo prazo. O máximo que uma ditadura consegue é pilhar mais e mais – uma hora não vai ter mais o que sugar e para onde crescer sem um inevitável colapso [assim espero e creio fervorosamente]. Mas o ponto é: a instituição governamental precisa garantir a segurança de seus cidadãos, e primeiro e fundamental direito é de cada um ser dono de seu próprio corpo, ter suas opiniões, se engajar em quaisquer empreitada que deseje – desde que não fira o igual direito alheio. Um governo que quer te impedir de tomar posse de uma Terra “pública”, colher seus frutos dessa mesma terra e negociá-los como bem entender com qualquer outra pessoa está, na verdade, agindo contrariamente à natureza humana e, portanto, é ilegítimo e ditatorial. Dom Huan nele! Mas a luta correta não é por uma Ditadura Sindical ou ditadura alguma, por mais que seja importante as questões por melhores salários, é pelo direito de livre empreender – [para tentar] ser mais produtivo – a verdadeira causa a ser seguida.
Mas continuam as
verdades invertidas – no texto e na cabeça de muitos ~cabeças~ por aí
“Marx would have predicted just such an
outcome. As the proletariat woke to their common class interests, they’d
overthrow the unjust capitalist system and replace it with a new, socialist
wonderland. Communists “openly declare that their ends can be attained only by
the forcible overthrow of all existing social conditions,” Marx wrote. “The
proletarians have nothing to lose but their chains.” There are signs that the
world’s laborers are increasingly impatient with their feeble prospects. Tens
of thousands have taken to the streets of cities like Madrid and Athens,
protesting stratospheric unemployment and the austerity measures that are
making matters even worse.
Ou seja: para remediar
o problema o que se quer é ir contra as medidas MENOS DANOSAS justamente dos
filhos da puta dos políticos. Os Estados menos irresponsáveis e que mais se
preocupam com [ou fingem se preocupar] com seus cidadãos – Alemanha, por
exemplo – são considerados os vilões da crise gerada por estados mais corruptos
e inescrupulosos como Grécia e Portugal. Culpa do capitalismo, mas nunca se
lembram de somar dois mais dois e chegar à conclusão de que Capitalismo está do
lado da AUSTERIDADE enquanto o comunismo é dispendioso e canalha. O problema é [cita-se outro Marxista] “Protesters, says Jacques
Rancière, an expert in Marxism at the University of Paris, aren’t aiming to
replace capitalism, as Marx had forecast, BUT MERELY
TO REFORM IT. “We’re not seeing protesting classes
call for an overthrow or DESTRUCTION OF SOCIOECONOMIC SYSTEMS IN PLACE,” he
explains. “What class conflict is producing today are calls to fix systems so
they become more viable and sustainable for the long run by redistributing the
wealth created.”
No fim, um já usual argumento–
não cai em desuso? – e que pode ser
desmascarado e resumido em “mimimi as esquerdas não são mais sanguinárias como
outrora, que saudades de Stálin, agora a revolução permite que os financistas
entrem na jogada – ou seja, “viraram capitalistas”. A canalha não cansa de, por
um lado, sentir falta das ditaduras mais abertamente comunistas – como demonstram
ao apoiar a Coréia do Norte, Cuba, Irã et caterva - e reclamarem que as
esquerdas entraram ~demais~ no jogo do imperialismo. E, afinal, ao que parece, tudo
que o GOVERNO dos EUA, França, Itália, Portugal,
Grécia – e em certa medida até a Alemanha [como BAgus também aponta como
inflacionista em seu “A tragédia do Euro”. Só que inflacionista num nível
suportável – até quando – para o povo alemão escaldado até uma horas] – precisavam é que ruísse o famigerado modelo
soviético para eles mesmos poderem intervir em suas economias a seu bel prazer
e ajudar a grandes tubarões a prosperarem como sanguessugas da população e, no
embalo, jogarem a culpa no Sistema capitalista e em verdadeiros empreendedores
de largo sucesso. Inveja e infâmia, que duplinha, hein?
“There are few to stand in the way. The emergence of a global labor
market has defanged unions throughout the developed world. The political left,
dragged rightward since the free-market onslaught of Margaret Thatcher and
Ronald Reagan, has not devised a credible alternative course. “Virtually all
progressive or leftist parties contributed at some point to the rise and reach
of financial markets, and rolling back of welfare systems in order to prove
they were capable of reform,” Rancière notes. “I’d say the prospects of Labor
or Socialists parties or governments anywhere significantly reconfiguring —
much less turning over — current economic systems to be pretty faint”
¹混 乱 [hùnluàn] exemplo: protesto na praça da paz celestial em 1989sexta-feira, 22 de março de 2013
Imposturas Intelectuais
Rodrigo Constantino
“Any intelligent fool can make things bigger, more complex, and more violent. It takes a touch of a genius - and a lot of courage - to move in the opposite direction.” (Albert Einstein)
De acordo com os solipsistas, a falsificabilidade de Popper não faria sentido, posto que provas inexistem. Mas a epistemologia randiana, em contrapartida, objetiva aprioristicamente determinados fatos, independentes do princípio da incerteza de Heisenberg. A própria etimologia de “fato” corrobora tal assertiva. Dependendo da esfera cognitiva, entretanto, poderemos cair na famosa incomensurabilidade de paradigma, segundo Kuhn. Restaria uma explicação somente através da topologia psicanalítica de Lacan. E assim a questão poderia se dar por encerrada, com razoável grau de certeza. Ou não.
Caro leitor, muita calma nessa hora! Se você não entendeu nada do que eu quis dizer acima, é bom sinal. Afinal de contas, realmente não quis dizer absolutamente nada. Esse artigo pretende desmascarar determinado tipo de pseudo-intelectual, que apela com assustadora freqüência aos estratagemas conhecidos para impressionar leigos.
Não estou sendo sequer original aqui, pois Alan Sokal adotou exatamente essa estratégia para desmascarar vários intelectuais. Sokal mandou para uma famosa revista um artigo com título complexo, e trechos mais obscuros que os utilizados acima. Seu artigo não só foi aceito, como gerou bastante reação positiva. Qual não foi a surpresa geral quando o autor confessou tratar-se de um emaranhado de frases soltas e sem sentido? A revolta foi grande, e Sokal decidiu transformar seus argumentos em livro, com o mesmo título desse meu artigo, refutando intelectuais do peso de um Lacan, Kuhn ou Feyerabend.
Segundo o próprio autor, “a obra trata da mistificação, da linguagem deliberadamente obscura, dos pensamentos confusos e do emprego incorreto dos conceitos científicos”. São desmontadas táticas, como o uso de terminologia científica ou pseudocientífica sem dar a devida atenção ao seu real significado, ou ostentar uma erudição superficial, usando termos técnicos fora de contexto, para impressionar. Fora isso, frases são manipuladas constantemente. Sokal, com o auxílio de Jean Bricmont, mostra que o “rei está nu”, com casos manifestos de charlatanismo. A reputação que certos textos têm em virtude de suas idéias serem “profundas”, em muitos casos, são apenas reflexo de serem na verdade incompreensíveis, pois não querem dizer absolutamente nada.
Os leitores precisam entender que a prolixidade não significa bom conteúdo, ou que a complexidade não quer dizer lógica. Precisam saber ainda que a erudição e abuso de citações não garantem o embasamento do argumento, e que o apelo à autoridade costuma ser um desvio para quem não sabe refutar concretamente um determinado ponto. Um debate intelectualmente honesto precisa contar com razoável grau de objetividade. Caso contrário, muito provavelmente estaremos diante de um embusteiro.
Deixo a conclusão para Isaiah Berlin, que em seu livro A Força das Idéias, ataca basicamente o mesmo ponto exposto aqui: "Uma retórica pretensiosa, uma obscuridade ou imprecisão deliberada ou compulsiva, uma arenga metafísica recheada de alusões irrelevantes ou desorientadoras a teorias científicas ou filosóficas (na melhor das hipóteses) mal compreendidas ou a nomes famosos, é um expediente antigo, mas no presente particularmente predominante, para ocultar a pobreza de pensamento ou a confusão, e às vezes perigosamente próximo da vigarice."
“Any intelligent fool can make things bigger, more complex, and more violent. It takes a touch of a genius - and a lot of courage - to move in the opposite direction.” (Albert Einstein)
De acordo com os solipsistas, a falsificabilidade de Popper não faria sentido, posto que provas inexistem. Mas a epistemologia randiana, em contrapartida, objetiva aprioristicamente determinados fatos, independentes do princípio da incerteza de Heisenberg. A própria etimologia de “fato” corrobora tal assertiva. Dependendo da esfera cognitiva, entretanto, poderemos cair na famosa incomensurabilidade de paradigma, segundo Kuhn. Restaria uma explicação somente através da topologia psicanalítica de Lacan. E assim a questão poderia se dar por encerrada, com razoável grau de certeza. Ou não.
Caro leitor, muita calma nessa hora! Se você não entendeu nada do que eu quis dizer acima, é bom sinal. Afinal de contas, realmente não quis dizer absolutamente nada. Esse artigo pretende desmascarar determinado tipo de pseudo-intelectual, que apela com assustadora freqüência aos estratagemas conhecidos para impressionar leigos.
Não estou sendo sequer original aqui, pois Alan Sokal adotou exatamente essa estratégia para desmascarar vários intelectuais. Sokal mandou para uma famosa revista um artigo com título complexo, e trechos mais obscuros que os utilizados acima. Seu artigo não só foi aceito, como gerou bastante reação positiva. Qual não foi a surpresa geral quando o autor confessou tratar-se de um emaranhado de frases soltas e sem sentido? A revolta foi grande, e Sokal decidiu transformar seus argumentos em livro, com o mesmo título desse meu artigo, refutando intelectuais do peso de um Lacan, Kuhn ou Feyerabend.
Segundo o próprio autor, “a obra trata da mistificação, da linguagem deliberadamente obscura, dos pensamentos confusos e do emprego incorreto dos conceitos científicos”. São desmontadas táticas, como o uso de terminologia científica ou pseudocientífica sem dar a devida atenção ao seu real significado, ou ostentar uma erudição superficial, usando termos técnicos fora de contexto, para impressionar. Fora isso, frases são manipuladas constantemente. Sokal, com o auxílio de Jean Bricmont, mostra que o “rei está nu”, com casos manifestos de charlatanismo. A reputação que certos textos têm em virtude de suas idéias serem “profundas”, em muitos casos, são apenas reflexo de serem na verdade incompreensíveis, pois não querem dizer absolutamente nada.
Os leitores precisam entender que a prolixidade não significa bom conteúdo, ou que a complexidade não quer dizer lógica. Precisam saber ainda que a erudição e abuso de citações não garantem o embasamento do argumento, e que o apelo à autoridade costuma ser um desvio para quem não sabe refutar concretamente um determinado ponto. Um debate intelectualmente honesto precisa contar com razoável grau de objetividade. Caso contrário, muito provavelmente estaremos diante de um embusteiro.
Deixo a conclusão para Isaiah Berlin, que em seu livro A Força das Idéias, ataca basicamente o mesmo ponto exposto aqui: "Uma retórica pretensiosa, uma obscuridade ou imprecisão deliberada ou compulsiva, uma arenga metafísica recheada de alusões irrelevantes ou desorientadoras a teorias científicas ou filosóficas (na melhor das hipóteses) mal compreendidas ou a nomes famosos, é um expediente antigo, mas no presente particularmente predominante, para ocultar a pobreza de pensamento ou a confusão, e às vezes perigosamente próximo da vigarice."
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Resuminho [Bastiat na veia!] da crise e dos movimentos anti-wall street MAS pró-governo [Occupy the pia de lavar louça]
http://mises.org/daily/5762/
"[...]The myth of the welfare state spread from France and Germany to the rest of the Western world, leading to an explosion of welfare transfers and an equal explosion of the people's expectations with regard to their so-called social rights.
Self-reliance was progressively replaced by a mentality of rights with no duties. As a result, a gigantic disconnect arose between what people are willing to pay in taxes and what they expect in return in the form of government benefits. Because promising welfare is the easiest way to win elections, politicians kept expanding the size of government over the decades. And because the public would not have tolerated an honest increase in taxes to finance the new welfare programs, governments started borrowing the money necessary to finance them. Thus, governments became dangerously in debt. Then the financial crisis came, to a large extent caused by government actions: welfare programs to make true the progressive "homeownership-society" dream in the United States created the structural conditions. Government-sponsored entities like Fannie Mae and Freddie Mac, who bought and guaranteed around 50 percent of the total US mortgage market, offered the financial vehicle to transfer the wealth; and the Federal Reserve provided the easy money necessary to finance it. In addition, the US government was borrowing and spending money at an all-time record in order to finance its warfare/welfare policies.
"For Hessel, if politicians and bureaucrats had more power than they currently have, the system would be less corrupt."In Europe the situation was not that different. The creation of a single currency, again a government decision that in many cases was not even submitted to popular scrutiny through a referendum, enabled countries like Greece, Portugal, and Spain to borrow money at very low interest. The market rightly assumed that if some of these countries defaulted, Germany and France would rescue them. This explains why private investors considered Greek bonds to be as good as German bonds. Using this unique opportunity, politicians in southern countries started an orgy of credit. Their purpose was to win more elections through the promise of more welfare policies. Meanwhile, the European Central Bank was keeping interest rates artificially low, inflating housing bubbles in Spain and Ireland. For a time everyone was happy: politicians were being reelected, the people were getting new government benefits every year, bankers were making tons of money, and industries were booming. It was all an illusion. When the bubble burst in the United States, it quickly became clear that Europe's economic and fiscal situation was also unsustainable.
Now it's time to pay for the party. Inevitably, this means a dramatic reduction in our standard of living. Because people do not understand that the source of the crisis was government, as Bastiat predicted, they now go on the streets demanding even more of what caused the problem in the first place: government. That is the paradox of the outraged
The Fiction of Government
The tragedy of honest left-wing intellectuals who encourage movements such as Occupy Wall Street is that, without realizing it, they are outraged by what is to a large extent the creature of their own thinking. The best example is Hessel himself. He argues that fundamental principles of a free, humanitarian, and democratic society have been replaced by a system in which maximization and uncontrolled financial capitalism prevail. A much better world, he insists, would be one in which individual interest is subordinated to the general interest. This can be best achieved if government plays a larger role in the economy.
One should first ask if there is any reason to believe that government really cares about the common good. Are bureaucrats and politicians not people like everyone else? Was Lord Acton wrong when he said that "power corrupts and absolute power corrupts absolutely"? And if he was right, is it reasonable to think that those who are in power — and therefore already corrupted — would put their own interest aside in order to serve an abstract ideal called the "common good"?
Even Hessel denounces that lobbyists have overtaken government in "the highest spheres." Nevertheless, he seems to believe that if government were to have more control over industries, corruption would not do its harmful work. In other words, for Hessel, if politicians and bureaucrats had more power than they currently have, the system would be less corrupt. History, however, shows that Lord Acton was right: the more power there is in the hands of the rulers the more corrupt the system becomes. The greatest failure of socialism was not that it brought about economic misery to the masses it was supposed to help but that it created a class system more violent and rigid than anything the Western world had ever seen. The central maxim of socialism — namely, equality — was betrayed as soon as the revolutionary leaders consolidated their power over the state. The new elite created a two-class system that rested on systematic coercion: on the one hand there were the party leaders and their friends who lived like kings enjoying all sort of luxuries, many of them imported from the capitalist world; and on the other hand there was everyone else, fighting for survival.
We may still ask what would happen if political leaders were not corruptible. Would Hessel's idea work then? Lets suppose for a minute that James Madison was wrong and that we were indeed governed by angels, that is to say, by incorruptible beings who would use their power only to seek the common good. Lets also suppose that these angels had all the material means necessary to achieve their noble ends. Now the question becomes, is the purity of intentions a guarantee for the quality of the results of someone's actions? Would morally superior and powerful men know better than we do what is best for us? And more importantly, would we be willing to accept honest men or even angels forcing us to do what they think is best?
Here it becomes even more evident that Hessel's argument rests on a falsehood: the idea that the common good or the general interest is something different from the sum of all individual interests, and that government is a separate entity that through coercion can elevate society to a higher degree of moral perfection and happiness. Few ideas in history have proved to be more appealing and at the same time more destructive than this one. Those who, like Hessel, endorse it, ignore the fact that the greatest evils are usually not the result of bad men trying to harm others but of good men trying to help others they do not even know. Henry David Thoreau fully grasped this when he wrote, "If I knew for a certainty that a man was coming to my house with the conscious design of doing me good, I should run for my life."[3] If angels were to govern humans, none of us would be spared from death for the greater good.
The fiction that government can safeguard a common good that transcends the diverse and irreducibly complex world of individual interests necessarily entails the idea that it can also provide for our necessities. This fallacy is the origin of the fatal myth of the welfare state — an idea brought about by French rationalist liberalism. This kind of liberalism, as Friedrich von Hayek noted, saw no limits in the power of human reason to plan social life and the economy, becoming thus the predecessor of collectivist movements such as socialism and fascism.
No one understood the implications of this myth better than Frédéric Bastiat, a French intellectual who is barely known in his own country. Writing shortly after the constitution of 1848 was created, Bastiat argued that unlike the Americans, who did not expect anything but from themselves, the French had transferred the province of social construction on to the abstraction of government. It was the responsibility of the state to elevate society to a higher level of morality, happiness, and material well-being. An example of this false belief, according to Bastiat, was to be found in the French constitution of 1848, which declared, "France has constituted itself a republic for the purpose of raising all the citizens to an ever-increasing degree of morality, enlightenment, and well-being." Bastiat observed that this new government was a "chimerical creation from which the citizens may demand everything." For Bastiat this could only lead to endless crisis and revolutions:
I contend that this deification of Government has been in past times, and will be hereafter, a fertile source of calamities and revolutions. There is the public on one side, Government on the other, considered as two distinct beings; the latter bound to bestow upon the former, and the former having the right to claim from the latter, all imaginable human benefits.[4]
"The global protest movement does not resemble the Communist movement, which declared that the world had to be overturned according to its viewpoint," Hessel said in an interview a year ago.
"This is not an ideological revolution. It is driven by an authentic desire to get what you need. From this point of view, the present generation is not asking governments to disappear but to change the way they deal with people's needs"
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
A Inflaçao de 2012 foi medida em quanto mesmo?
Para o BaCen, 16% é o ponto de partida [isso em relação ao já feito [alavancado] ano passado. O total real chegou FÁCIL em 20%].
"[A] pressão do governo surtiu efeito e os bancos públicos despejaram crédito na economia brasileira em 2012. No Banco do Brasil, que divulgou na última quinta-feira o balanço anual, a expansão ficou perto de 25%. Terça-feira (19.02.013), a Caixa Econômica Federal informou um avanço ainda mais expressivo: 45%. No sistema financeiro em geral, a alta foi de 16%, segundo o Banco Central (BC). Quando a comparação é feita com as instituições privadas, a diferença é maior. No Itaú, líder do segmento, os empréstimos subiram apenas 6%. No Bradesco, 8,3%, e no Santander, 7,6%."***
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Copa do Mundo e Minha-Casa, Minha Vida
The Brazilian government isn’t letting an economic slowdown, the World Cup or the Olympics get in the way of its efforts to help everyone from slum dwellers to young professionals buy homes.
President Dilma Rousseff is using federal subsidies and state-bank loans to boost housing after economic expansion slowed for a second year in 2012 and mortgage growth declined. Home price gains are also decelerating after rising 58 percent since 2010.
Brazilian President Dilma Rousseff is pumping more money into the housing market even as interest rates remain at the lowest in Brazil's history, and annual inflation is running above the central bank's target for 29 months.
“The market is trying to correct itself” and “the government is throwing more money at it to keep it expanding,”said Adolfo Sachsida, an economist in Brasilia at the Institute for Applied Economic Research, a federal government agency that evaluates public policy. “This market employs a lot of people and they want to keep it heated so employment doesn’t drop.”
Rousseff is pumping more money into the housing market even as interest rates remain at the lowest in Brazil’s history, and annual inflation is running above the central bank’s target for 29 months. As economic growth fell to the slowest pace among major emerging-market economies last year, she nearly doubled spending on Brazil’s plan to build 2 million low-income homes by 2014, a goal made more expensive as preparations for the World Cup being held that year, and the Olympics in 2016 contribute to higher construction costs.
Home Lending
The amount of home loans outstanding grew 38.2 percent in 2012, down from a pace of 44.5 percent in 2011 and 51.1 percent in 2010, which was the fastest since 1992, according to central bank data. Total credit outstanding increased by 16.2 percent last year.
The government’s measures are helping to sustain prices, setting the stage for a fall once interest rates climb from record lows, according to Sachsida, who co-authored an IPEAreport last August that said the government is fostering a real-estate bubble.
“When rates rise abroad, Brazil will be forced to raise rates here too. When they do that, it’s going to hit a population that is already very indebted, and that’s going to pop the bubble,” he said.
The views expressed in the report don’t reflect the opinion of the organization, according to a press official at IPEA in Brasilia, who asked not to be identified in accordance with their policy.
“The majority of analysts have concluded that there is no risk of a real estate bubble,” Dyogo Oliveira, deputy executive secretary at the Finance Ministry, told reporters in Brasilia Jan. 31. “At the moment there is no need for concern.”
The Finance Ministry didn’t respond to a request for further comment.
Middle Class
While 35 million Brazilians entered the middle class in the past decade, according to the Rio de Janeiro-based Getulio Vargas Foundation, the government estimates there is a housing deficit of 6.3 million homes.
Rousseff increased spending on her low-income housing initiative, dubbed Minha Casa, Minha Vida (My Home, My Life), by 93 percent to 11.2 billion reais ($5.7 billion) from January through November 2012, according to the Treasury.
The government has twice lifted price caps on homes that are eligible for program subsidies since 2009, to as much as 190,000 reais in Rio de Janeiro and Sao Paulo, as soaring land prices prompted homebuilders to lobby for higher payouts to cover construction costs.
World Cup
Preparations for the World Cup and Olympics also have increased demand, the IPEA report said.
“The program of public works trying to modernize and invigorate some cities for the World Cup in 2014 and the Olympics in Rio in 2016 has been contributing to the appreciation of real estate prices.”
Rising prices are undermining the original goal of the government’s program to reach Brazil’s poorest, because homebuilders are focusing on building more expensive homes that are still within the subsidy scheme, according to Claudia Magalhaes Eloy, a professor of architecture and urbanism at the University of Sao Paulo.
“While those increases may be partially credited to improvements in the housing units, they seem to be mainly explained by developers’ pressures to accommodate escalating costs, due in part to land speculation,” Eloy, Fernanda Costa and Rossella Rossetto wrote in a fall 2012 article for the journal Housing Finance International. “This imposes threats to the continuity of the subsidy policy and causes important impacts on the housing market, reducing affordability.”
From April 2009 to May 2012, just 40 percent of the homes contracted to be built were destined for families in the lowest income tier, according to Eloy.
Price Limits
Minha Casa, Minha Vida has price limits to ensure that homes remain affordable for beneficiaries of the program, Patricia Gripp, head of communications for the Ministry of Cities, which administers the program, wrote in an e-mailed response to questions.
“The program stimulates not just demand for real estate credit, but it also expands the production of new units on a large scale,” she wrote. “An increase in supply tends to control the price of units.”
The government has delivered 1 million homes under the program, generating 1.4 million jobs as of December 2012, according to Caixa Economica Federal, the largest mortgage lender in Latin America and the main conduit for Brazil’s federal housing subsidies.
Delays Plague
Minha Casa, Minha Vida also isn’t immune to the delays that typically plague infrastructure projects in Brazil. Marcelo Montenegro, the 65 year-old founder of Fortaleza-based homebuilder Montenegro Construtora, waited five months last year for state-owned Caixa and the city to sign off on final approvals for his low-income housing development in Jurema, a suburb of Fortaleza.
During the wait, he said, he was forced to hire private security guards at a cost of 200,000 reais to protect the buildings after squatters took over a neighboring building with plans to rent or sell the apartments.
“It was absurd, I suffered a lot,” said Montengero, who said he has since met with representatives from Caixa and the police to try and resolve bottlenecks and improve security.“The police and city did nothing to stop it,”.
A press official for Caixa in Brasilia, who asked not to be named in accordance with internal policy, wrote in an e-mailed response to questions that Caixa approved the project in a timely fashion. Caixa has worked with the municipality and the state secretary of public security so that they act with agility in the issuance of documents and help to solve the situation mentioned, according to the official.
Accelerate Construction
In an effort to accelerate construction under the program, Rousseff in 2011 tapped Brazil’s other federally-owned lender, Banco do Brasil SA, to begin lending in the lowest-income tier of the program.
Banco do Brasil offered financing for 114,000 new housing units in 2012, including 50,349 units for the lowest income tier, and 64,000 units for the second and third more expensive tiers. Its goal is to finance 450,000 units by the end of 2014, Gueitiro Matsuo Genso, the bank’s head of real estate credit, said in an interview in November.
Banco do Brasil, which entered the home loan market in 2009, increased overall mortgage lending 75 percent to 11.35 billion reais last year. Brasilia-based Caixa increased home lending 33.8 percent last year to 101 billion reais.
Falling Investment
Brazil’s unemployment rate fell to a record low 4.6 percent in December as companies anticipated lower borrowing costs, tax breaks and increased public spending to fuel growth. Still, the second-largest emerging economy grew just 1 percent last year, the central bank estimates, less than the U.S., China, and Japan.
Investment in Brazil’s economy dropped 3.9 percent in the first three quarters of 2012 from the year-earlier period, after a 4.7 percent increase in 2011, according to the Brazilian Institute of Geography and Statistics.
With local industry struggling to compete globally and a more aggressive stance on rooting out corruption spurring delays in infrastructure investment, the government is leaning on home construction as a means to boost growth, according to Jefferson Finch, an analyst at political risk consulting firm Eurasia Group.
“They see it as an important driver for investment and growth, and it pays a political dividend,” Finch said by phone from New York. “There’s a focus on addressing the housing deficit but also the focus on home ownership in the new middle class, which is going to be a really important sector for any government in the future to have the support of.”
Home Prices
Brazilian home prices are likely to keep pace with inflation rather than appreciate beyond it for the next three to six months as buyers look for stronger signs of an economic recovery, according to Eduardo Schaeffer, chief executive officer of Sao Paulo-based Zap Imoveis, which publishes the FipeZap home price index in partnership with the Foundation for Economic Research.
“The market is not exactly cooling off, but it’s being a little more conservative,” Schaeffer said by phone from Sao Paulo. “There’s no longer that fever to buy a home at any price and sell shortly after. It’s more in line with inflation, which is reasonable.”
Luxury Apartments
The average price per square meter in 16 Brazilian cities rose 0.9 percent in January to 6,350 reais, according to the FipeZap index.
In Sao Paulo’s Pinheiros neighborhood, homebuilder Even Construtora e Incorporadora SA will begin construction in April on a 47-unit luxury apartment building with an indoor and outdoor pool and a tennis court. The average price of the 332 square-meter units, which have four bedrooms, six bathrooms, including maid’s quarters, and a glassed in patio, is 4 million reais. About 30 percent of the units have been sold since efforts began in October, according to Izilda Albanez, a broker for Even.
Residential areas like Pinheiros, or the beachfront neighborhood of Leblon, in Rio de Janeiro, represent the extreme in home price appreciation, according to Octavio Lazari Junior, president of the mortgage lenders association known as Abecip and executive director at Banco Bradesco SA.
The rise in property prices in Brazil since 2009 was caused by a series of factors, including the stabilization of the economy, stronger foreclosure laws so banks could gain possession of homes in default, which made them more willing to make mortgage loans, improvement in the quality of homes being built, and investments for the World Cup and Olympics, Lazari Junior said.
Brazilian Homebuyer
The typical Brazilian homebuyer makes a down payment of about 60 percent on a new home purchase, which reduces the chance of default if the value falls, Lazari Junior said. At the same time, slow economic recoveries in the U.S. and Europe make the chance of a sharp increase in interest rates unlikely, he said.
“There is not the slightest risk of a real estate bubble in Brazil,” Lazari Junior said by phone from Sao Paulo. “What we will have going forward is real estate prices adjusted for inflation. They will not fall.”
The Brazilian government’s housing policy would be more effective if it donated some of the land it controls for low-income housing construction, rather than handing over more cash to homebuilders to keep up with price increases, according to Sachsida of IPEA. The government is unlikely to relinquish that power, he said.
“Brazilians’ biggest dream is to have their own home, so of course any policies that make this easier are welcome,” he said. “This is worsening access to home ownership, because the way it’s being done is increasing home prices.”
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